terça-feira, 25 de março de 2014

SANGUE, SUOR E NANQUIM

A brutalização das consciências é a febre do momento. 
Optar por uma opinião meio termo é se assumir retoricamente broxa.
A parada é esgarçar a paciência daquele que diverge. 
Tensionar o conflito até as vias de fato virtuais.
E a grande sacada é essa: ganha quem perde a civilidade primeiro!  
A tolerância tem sido mais escorraçada dos debates do que mosca quando se aproxima da sopa.
Imerso nesse chorume de violência simbólica, 
saem da toca alguns tipos sociais insignificantes. 
Um dos mais dispensáveis é o cartunista. 
Um bicho umbilicalmente urbano e antissocial.
Teimando sua inutilidade e acreditando ser alguém, 
também quer dar o seu piti.
Este obtuso ser desenhante perscruta os diálogos alheios, memoriza gestos banais de estranhos e toma para si pequenas ofensas que acontecem casualmente em qualquer lugar. É um escaravelho das relações sociais. 
E o pior de tudo: em sua cabeça afetada(e quase sempre enorme) faz tudo isso de forma engraçada.  
A deletéria mistura mencionada no título remete ao processo ingrato e braçal que é fazer quadrinhos.
 Muito sangue, muito suor e muito nanquim. 
Só sabe mesmo quem é suficientemente burro para se meter nesse meio.
Mas se é pra passar vergonha, que se faça direito. 
Também publicarei esboços, desenhos aleatórios, textos de escrita rasa, 
charges desatualizadas e cartuns insossos. 
Já começo com uma auto denúncia: 
meu trabalho não passa de um pastiche barato. 
A falta de decoro autoral me permite copiar grandes ícones da área sem dó nem dignidade.


(clique para ampliar essa bagaça)

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